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Compre roupas como uma designer de moda e acerte mais

Como você decide as roupas que compra? Marca, modelo, preço? Alguns detalhes que uma designer de moda levaria em conta fazem toda diferença.

A designer da Binari, Karina Motter, conta como ela compra as próprias roupas e nos dá dicas valiosas para escolhermos e investirmos melhor. Confira!

Por toda minha carreira, tive a oportunidade de conviver e trabalhar com muitas empresas, fornecedores e colegas com filosofias e visões bastante diversas sobre moda.

Conheci e vivi cada etapa do processo, da fiação à prateleira da loja, e me incomoda muito saber que uma peça acabou no fundo de um armário, muitas vezes sem ter sido usada uma única vez, ou pior: na pilha de descarte ou doação por não ter resistido ao menos à primeira lavagem.

Com o tempo, acabei criando alguns vícios na hora de comprar roupas –coisas simples, mas que fazem muita diferença nas minhas escolhas.

A etiqueta revela mais do que você imagina.

A primeira coisa que olho em um produto é sempre a etiqueta, onde constam informações valiosíssimas sobre o que se está adquirindo. Essa análise pode nos salvar de algumas boas roubadas e revela o custo-benefício da peça. A começar pela composição.

Peças de fibras naturais, como o algodão, e a viscose, por exemplo, são mais resistentes e permitem que a pele respire. A seda tem um toque macio e fresco, além do brilho natural. Já o cashmere, meu predileto para o inverno, tem um toque extremamente macio e nos mantém aquecidas sem a necessidade de grandes espessuras de tecido. 

Peças produzidas nesses materiais geralmente dividem as mesmas prateleiras que outras feitas de acrílico, que têm toque áspero, costumam pinicar a pele e ficam cheias de bolinhas após a primeira lavagem. Então é bom ficar atenta!

O mesmo acontece com as peças em couro e as sintéticas. À primeira vista, podem ser muito parecidas, mas com alguns dias de uso a diferença é nítida. O tecido sintético se deteriora rapidamente, principalmente nas costuras das bolsas, dependendo do peso que colocamos.

A origem de sua peça diz muito sobre ela.

Outro ponto importante a considerar é a procedência, ou seja, onde a peça foi produzida. Estamos todos cansados de ouvir falar sobre problemas envolvidos na confecção de peças em países que vêm explorando a mão de obra para garantir menores custos, afetando sua qualidade e toda cadeia produtiva.

Mesmo sendo difícil fugir deste mercado, por conta da conveniência dos preços, é importante não fechar os olhos. A mudança começa pela conscientização. Saber o que se está comprando e o porquê de estar pagando um determinado preço, valorizar mais as peças feitas no Brasil e refletir se a compra valerá mesmo a pena são os primeiros passos.

Não basta adquirir uma boa peça. É importante saber conservá-la.

Na etiqueta também encontramos as instruções para a conservação da peça, que garantem que ela dure por muito mais tempo. Algumas dão trabalho, mas sempre vale a pena! Já deixei, muitas vezes, de comprar algumas peças, por saber que não conseguiria seguir todas as instruções.

Para você não esquecer:

Use e abuse de referências.

E como não adianta nada ter peças de qualidade, que durem por muito tempo, mas que ficarão no armário, é importante pensar no que realmente vai usar no dia a dia. Para isso, busque referências! 

Eu, particularmente, sou muito adepta das compras online, porque permitem que eu me organize melhor olhando as peças e buscando em outros sites referências sobre como usá-las. Gosto também de deixar a compra no carrinho por alguns dias, enquanto checo meu armário e penso no que realmente combina com minhas roupas e se a peça faz mesmo sentido para mim.

Aposte e valerá a pena.

Costumo dizer que cada peça é como uma joia, que deve ser pensada e cuidada, respeitando-se sua história e conhecendo seus detalhes. Carrego esses valores em cada peça que desenvolvo pela Binari, buscando desenhar modelos que possam fazer parte da história das consumidoras, tomando cuidado com cada detalhe do acabamento, escolhendo matérias-primas da melhor qualidade e participando de perto de todo seu processo de construção.

E lembre-se: pode parecer meio complicado no início, mas com a prática e aos poucos, tudo isso se torna natural em seus processos de escolha. E terá valido muito a pena quando você começar a se sentir mais satisfeita e segura com o que tem no armário e usa no dia a dia.



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  • Daniel on

    Reflexão compacta e extremamente interessante. Ter noção da qualidade das matérias primas e das origens das coisas que compramos pode mudar completamente a visão que temos das empresas, dos produtos e da indústria do consumo em si. Parabéns pelo texto.


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