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Bolsas de mulheres que admiramos | Com Amélia Lopes

Bolsas de mulheres que admiramos

Hoje, lançamos a coluna Bolsas de Mulheres que Admiramos, para espiarmos bolsas de mulheres independentes e dinâmicas que nos inspiram e dividirmos, com vocês, suas experiências.

A primeira entrevistada no Bolsas de Mulheres que Admiramos é Amélia Lopes, empreendedora, mãe, que divide conosco um pouco de sua rotina e nos conta, nesse Outubro Rosa, como enfrentou o câncer de mama com entusiasmo.

Empreendedora, mãe de três filhas incríveis, Amélia Lopes, como ela mesma diz, carrega o peso do nome, fazendo jus à letra da música e ávida por querer resolver tudo, o tempo todo, para ela mesma, os pais, as meninas, os amigos. Uma mulher que reconhece que não aprendeu muito bem a dizer não, é otimista, crítica, determinada, forte e carente.

Aos 55 anos, a jornalista e sócia de uma empresa de eventos nos inspira. Em meio à rotina agitada, está, como nunca, mais atenta a sua saúde e autoestima. Ela, que confessa nunca ter sido muito chegada a exercícios físicos, descobriu recentemente a paixão por pedalar e vem buscando mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, corpo e alma, o que percebemos espiando sua bolsa. Não sai de casa sem o celular, o pen drive, mas também seu fone de ouvido, um terço, uma garrafa de água e um batom.

Tudo isso motivado por uma fase atribulada de sua vida: o fim do casamento de vinte e quatro anos, a distância das filhas, que ingressaram na faculdade, e a descoberta de um câncer de mama.

Até então, Amélia conta que havia passado os últimos anos esquecendo-se dela mesma. "Vivia uma crise no casamento e, em paralelo, minhas filhas começaram a deixar o lar. Vivi a síndrome do ninho vazio, sentindo-me completamente sozinha. Por outro lado, tinha picos de trabalho. De tempos em tempos, passava dias, às vezes meses, envolvida com a organização de um evento. Assim o tempo foi passando. Pra você ter uma ideia, foram cinco anos sem visitar um ginecologista, fazer uma mamografia!”, comenta.

Algo perigoso, mas muito fácil de acontecer com qualquer uma de nós, que cumprimos no dia a dia diversos papéis. Mas, por sorte, como ela diz, a vida encontrou uma forma de a avisar que o câncer havia chegado. "Por conta da separação, eu estava bastante abalada, minha autoestima lá embaixo. Então uma amiga que havia colocado silicone começou a me incentivar, dizer que eu devia cuidar de mim, que ainda era jovem, bonita. Nunca havia pensado nisso, mas acabei me contagiando e marquei uma consulta com a médica dela. Foi divertido olhar os tamanhos, provar aquelas mamas e escolher quantos ml eu queria pra mim (risos). Foi então que a médica perguntou se eu tinha alguma mamografia recente. Como eu disse que não, ela sugeriu que eu fizesse”.

O que Amélia não imaginaria é que, menos de um mês depois daquela consulta, estaria entrando em cirurgia, mas não para colocar silicone e sim para remover um câncer.

 

“Descobri o câncer por acaso. Foi um grande presente descobri-lo na fase inicial”. 

 

Depois da operação, feita no AC Camargo, em São Paulo, foram trinta sessões de radioterapia, sem ter precisado realizar a quimioterapia. Hoje, Amélia está no segundo ano de tratamento diário com remédio, consulta e exames periódicos. “Faltam só mais três anos", comemora animada. "Às vezes olho pra trás e é quase como se nada disso tivesse acontecido. Superei e esqueci o medo, a insegurança e hoje só resta muita gratidão. Gratidão por ter descoberto rápido, por ter uma equipe médica competente a meu lado e por estar viva", ela ressalta.

E que lição se tira disso? Segundo Amélia, que precisamos valorizar cada oportunidade que a vida nos oferece. Para ela, as sessões diárias de radioterapia foram momentos especiais, em que passou a perceber o quão sem importância é nossa pressa diária diante de pequenas coisas, como o atraso na consulta, a fila para retirar resultados de exames. Também de se sentir mais próxima às pessoas. “Ali naquele hospital passei a olhar pro outro com mais compaixão e cumplicidade, por saber que a vida daquela pessoa também virou de cabeça pra baixo e que a dor, o medo, as dúvidas são iguais pra todos”.

Agora Amélia vem buscando retomar um melhor ritmo de trabalho. Ela conta que quando estava preparada para voltar às atividades, a crise chegou e as oportunidades de trabalho diminuíram. Mas, com certeza, a empreendedora está disposta a encarar de frente essa nova fase e com mais qualidade de vida. Pedalar já é parte dessa rotina. "Iniciei com pequenos percursos e, aos poucos, o condicionamento físico foi melhorando. Hoje já faço um pedal mais longo e chego a sentir falta no final de semana que não saio pra pedalar. A paisagem e o ar livre são inspiradores e relaxantes. Renovo minhas baterias a cada passeio de bike”.

Finalizamos a entrevista concordando com ela: não podemos nos descuidar nunca! E precisamos buscar fazer tudo com amor e prazer. E que venham dias e bolsas melhores pra todas nós!



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